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Mostrando postagens com o rótulo Aquela Música

Caindo...

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“... Somos programados pra cair.” Aqui da varanda tudo parece distante. As pessoas se transformam em formigas, seguindo suas rotas, seguindo seus caminhos, seguindo sua rotina. Aquela rotina que satura e acumula pensamentos e dores. Exatamente aquela rotina que me satura a alma. Não sei ao certo qual gota foi a última e que me fez transbordar. Daqui de cima quase não ouço as buzinas e o som incessante do tráfego lá embaixo, mas vejo e acompanho com toda calma do mundo o carro vermelho virar a esquina, parar em frente a faixa de pedestres, virar a direita e desaparecer.

Platônico...

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"...De olhar vendido te vendo... " Lá estava ela novamente. Todos os dias, na mesma hora. Lá estava ela, linda como sempre. Quanto a mim, conseguia apenas passar em frente a sua janela da forma mais lenta possível, para absorver ao máximo sua imagem, a forma que seus longos cachos castanhos lhe caíam sobre os ombros ou como ela os domara com uma fita combinando com a roupa. A blusa que lhe marcava o decote ou as mangas recatadas. E eu não me importava com nada disso. A melhor parte de tudo o que via, eram seus lábios e como sempre estavam adornando um sorriso. Não apenas um sorriso, o sorriso mais lindo de todos, como se apenas ele pudesse devolver a alegria do universo. Talvez isso fosse um exagero do meu coração apaixonado, mas de que importava? Era um devaneio que eu guardaria para sempre comigo.

Seu...

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"Eu tava só, sozinho..." Eu sempre fui do tipo sozinho. Nunca tive muitos amigos e nem se quer conhecidos. Os vizinhos me chamam de “aquele cara de cabelo comprido da casa verde” e não precisavam saber de mais nada sobre mim. Muito menos que fui abandonado e por isso estava agora nessa cidade de merda, com um emprego medíocre e sozinho. Sem parentes ou amigos para me aturar enquanto choro minhas pitangas. O que eu tinha mais próximo do que chamam de amigo era o Carlos, paulista perdido nos confins do nordeste, sozinho, mau humorado e anti social como eu. Às vezes saíamos para beber. Eram dias bons, sentávamos no bar, pedíamos uma cerveja cada e ficávamos soltando fumaça e dando goles na boca da garrafa enquanto olhávamos a rua, as pessoas que passavam, expressões e roupas estranhas. Assim íamos noite a dentro, as vezes até amanhecer. Conversar? Para que?

Alguém...

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"...Um outro alguém que me tomou o seu amor." Eu podia ouvir o som dos seus passos ao longe, rápidos e curtos. Sempre ficavam mais lentos quando se aproximava da porta de vidro. Acompanhava então seus movimentos, arrumar a franja que teimava em lhe cobrir os olhos, arrumar a alça da bolsa sobre o ombro direito, enfiar os dedos nos passadores da calça para puxá-la levemente para cima, passar as mãos sobre a barriga de forma a alinhar a blusa e finalmente entrava. Acenos e sorrisos para todos. Cumprimentos lentos até chegar a sua mesa, onde não precisava virar a cabeça para te olhar. Bastava apenas me inclinar um pouco para o lado e visualizar-te por trás do monitor do meu computador.

Liberdade...

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"...E eu que pensei que fosse o fim..." Abri os olhos e por instinto levei meu braço para o lado esquerdo da cama, senti os lençóis vazios, o travesseiro frio e pude apenas suspirar. Estava difícil me acostumar a dormir sozinho de novo, mas era necessário. Ela não voltaria. Já estava cansado de lutar contra esse vazio e a falta que sentia dela. O mais difícil era aturar minha mãe falando que tinha perdido a mulher da minha vida por causa desse meu jeito super-romântico de ser. Sabe, algumas mulheres achariam isso algo bom! Só não encontrei uma dessas ainda. Colocava os pés no chão e precisava chutar as folhas de papel para os lados na busca pelo chinelo.

Insensível...

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“... O meu amor é mais caro, diz quanto você pode pagar...” O toque insistente do telefone me tira a paciência. Sinto vontade de jogá-lo contra a parede e transformar esse pequeno aparelho em milhões de pedaços silenciosos. A forma de identificação facilitava minha vida, para cada grupo um toque único ou para as pessoas mais especiais ou nesse caso, as mais chatas. De forma que eu sabia quem me liga apenas nos primeiros acordes polifônicos. E daí então vinha a decisão de atender ou ignorar. Já estava cansado de ouvir aquela música e ver aquele nome piscando na tela, Angélica, Angélica, Angélica. O que ela queria desta vez? Eu já lhe dera o que fora pedido, pelo que pagou e apenas isso. Talvez esse seja o problema, ela queria o “mais” que eu não lhe podia ofertar assim de tão bom grado.